Relva artificial sem enchimento: a FIFA já certifica para futebol de formação

Relva artificial sem enchimento Realturf

A FIFA atualizou o seu manual de métodos de ensaio do Programa de Qualidade da FIFA para Relva Artificial, na sequência de uma reunião do seu Grupo Consultivo Técnico (TAG). Com esta mudança, os sistemas sem enchimento e os sistemas com enchimento mineral passam a ser elegíveis para as certificações FIFA Basic e FIFA Quality, pensadas para o futebol de formação, escolar e comunitário. A certificação FIFA Quality Pro, exigida na competição profissional, fica por agora fora desta atualização, embora a própria FIFA equacione rever isso no futuro. É a primeira vez que o organismo abre uma via de certificação oficial para este tipo de superfícies, e confirma um movimento que o setor já vinha assinalando: reduzir a dependência do enchimento de borracha.

A realidade é que o debate sobre o enchimento já dura há anos

Desde que a relva artificial de terceira geração (3G) se impôs como padrão, combinando fibra sintética com enchimento de areia e borracha, o setor tem convivido com uma pergunta incómoda: será esse enchimento necessário para que a superfície funcione, ou é uma solução herdada de uma tecnologia que já pode ser melhorada?

A preocupação não é só desportiva. O enchimento de borracha — normalmente SBR reciclado de pneu — tem estado na mira da União Europeia pela dispersão de microplásticos, e muitos gestores de instalações há tempos pedem alternativas que simplifiquem a manutenção e reduzam esse risco. O novo Manual de Qualidade da FIFA, em vigor desde março de 2025, já apontava nessa direção: incentivava materiais reciclados nas fibras e deixava a porta aberta a enchimentos alternativos mais sustentáveis, como os de origem vegetal ou mineral.

Faltava que o próprio organismo regulador desse um passo formal para que os sistemas sem enchimento pudessem certificar-se. E esse passo já foi dado.

O que mudou exatamente

Após a última reunião do seu Grupo Consultivo Técnico (TAG), a FIFA atualizou o seu manual de métodos de ensaio para relva artificial. A atualização acrescenta uma secção que especifica que sistemas são elegíveis para cada tipo de certificação:

  • Sistemas com enchimento de desempenho (os sistemas 3G tradicionais): continuam elegíveis para as três certificações — FIFA Basic, FIFA Quality e FIFA Quality Pro.
  • Sistemas sem enchimento, com enchimento mineral, semi-preenchidos ou “estabilizados com areia”: passam a ser elegíveis para FIFA Basic e para a certificação de produto e instalação FIFA Quality.
  • FIFA Quality Pro (o nível exigido na competição de alto rendimento) fica, por agora, fora do alcance destes sistemas. A FIFA equaciona que isso possa abrir-se no futuro, em função de nova investigação.

Convém esclarecer os níveis para quem não esteja familiarizado com o programa:

CERTIFICAÇAO PARA QUE SERVE PROCESSO
FIFA Basic Futebol de formação e comunidades com recursos limitados. Campos de dimensões reduzidas (mínimo 25×16 m) Apenas inspeção de campo, sem ensaios prévios. Validade de 3 meses
FIFA Quality Futebol recreativo, escolar, municipal Ensaios de laboratório + teste de campo
FIFA Quality Pro Competição de alto nível Ensaios de laboratório + teste de campo, exigências mais rigorosas

Ou seja: a notícia não é que “a FIFA já certifica relva sem enchimento para qualquer nível de competição”, mas algo mais concreto e, para o setor, igualmente relevante: a relva sem enchimento entra oficialmente no sistema de certificação da FIFA para futebol de formação, escolar e comunitário, com a porta aberta a que no futuro chegue também à competição profissional.

Porque é que isto importa, além do título

Para quem fabrica ou instala relva artificial para campos de futebol, esta atualização resolve uma fricção real: até agora, um clube, escola ou município que quisesse uma superfície sem enchimento ficava sem o respaldo de uma certificação FIFA reconhecida internacionalmente. Agora esse caminho existe.

E não é um detalhe menor para quem tem de tomar a decisão de instalar um campo. Menos enchimento significa menos manutenção, não é preciso repor borracha, nem compactá-la, nem se desloca com a chuva ou com o uso. Significa também menos preocupação com a normativa europeia sobre microplásticos e menos perguntas incómodas de pais nas bancadas de uma escola. E significa, para o clube de bairro com orçamento reduzido, poder construir o campo onde antes só cabia a promessa.

E há um contexto que dá ainda mais força a esta mudança agora mesmo: o Mundial 2026, com a sua expansão histórica a 48 seleções, voltou a mostrar que o futuro do futebol se decide muito antes das grandes finais, decide-se no pátio de uma escola, num campo municipal de futebol de 7, nas mesmas superfícies que esta atualização da FIFA ajuda a melhorar. A próxima geração de futebolistas começa ali.

A voz da Realturf: porque já trabalhamos nesta direção há tempo

A Realturf foi a primeira empresa espanhola a integrar o programa da FIFA, certificando relva artificial para campos de futebol. Esse percurso é, precisamente, o que nos permite ler esta atualização com perspetiva: acompanhamos de perto a evolução do Programa de Qualidade da FIFA porque marca o caminho que depois todo o setor percorre. Esta atualização confirma algo que já intuíamos: a relva sem enchimento deixou de ser uma promessa de futuro para se tornar numa alternativa real, com um quadro de certificação por trás.

Por isso, a Realturf tem um modelo de relva artificial desportiva sem enchimento com certificação, que segue os protocolos de ensaio definidos no manual atualizado da FIFA e está pronto para ser instalado num campo FIFA. O nosso objetivo não é só cumprir o requisito: é oferecer uma superfície que resolva o que realmente importa a quem gere uma instalação, menos manutenção, mais anos de vida útil e um campo sem surpresas.

Equipa técnica da Realturf: inspeção do terreno para a instalação

Equipa técnica da Realturf a inspecionar o terreno antes da instalação.

O que falta ver

A própria FIFA é cautelosa quanto ao passo seguinte: a elegibilidade destes sistemas para FIFA Quality Pro, o nível exigido na competição de alto rendimento, vai depender de investigação adicional nos próximos anos. Ou seja: o futebol de formação, escolar e comunitário já tem um caminho de certificação aberto; o profissional, ainda não, embora a direção do movimento seja clara.

Para o setor, isto transforma 2026 num ano de referência: o momento em que a relva sem enchimento deixou de se mover só pela via comercial e passou a fazê-lo também pela via normativa.

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